20 de dezembro de 2012

A necessidade de reavivar o verdadeiro espírito do Natal


   A 25 de Dezembro, o mundo Católico celebra um acontecimento crucial da História da Humanidade ao qual nenhum povo ou civilização ficou indiferente ao longo dos últimos vinte séculos.

   Comemora-se na noite de 24 para 25 de Dezembro o Nascimento do Deus Menino em Belém, o Príncipe da Paz, símbolo da união entre os homens e que veio trazer à Terra o espírito da Paz, da Concórdia e da Felicidade entre os povos.

    Ao longo de séculos, o autêntico espírito cristão da entrega ao próximo e da procura do bem comum, infundiu e fez florescer nos mais diversos povos, e de forma especial na Europa, uma série de riquíssimos costumes e tradições carregados de simbolismo, alusivos à quadra do Natal. Esses símbolos e tradições reflectem-se nas mais diversas áreas da existência humana desde a música, a gastronomia, as artes decorativas e, muito especialmente, no hábito secular de fazer o Presépio tanto nas casas como nos espaços públicos. Enfim, um sem-número de formas de celebrar uma data que deveria ser sobretudo evocada pelo seu carácter religioso profundo e, por excelência, o momento do ano para a celebração do verdadeiro espírito de Família.

   No entanto, algumas das sadias e seculares tradições da Quadra Natalícia vão-se perdendo gradualmente, sobretudo em resultado do estilo de vida agitado do mundo contemporâneo em que o sentido religioso do Natal cristão, nalguma medida, se vai perdendo, sendo substituído por um excessivo consumismo que vai conduzindo paulatinamente ao esquecimento daquilo que é a essência do Natal Cristão.

   O laicismo militante que vai sendo imposto às sociedades actuais, vai relegando para um segundo plano a evocação do carácter sagrado de certas festas religiosas católicas nos espaços públicos, remetendo-as para a esfera privada. Esse tem sido um factor determinante para a laicização do mundo contemporâneo, e contribuído simultaneamente para o abandono gradual da vertente sagrada de algumas tradições natalícias.

   A celebração do Nascimento de Cristo, que deveria ser o ponto central de todas as atenções durante a quadra natalícia, mormente em países de antiquíssima tradição católica como é o caso de Portugal, vai dando lugar a um materialismo e um consumismo difusos, a tal ponto que, para muitos dos nossos contemporâneos, o Natal parece reduzir-se à mera troca de lembranças e pouco mais.

   Mas, perante a investida deste laicismo militante que se vai disseminando pela outrora Europa cristã, vão surgindo aqui e ali movimentos de sadia reacção que se reflectem em actos públicos realizados por inúmeras famílias.

   Refiro-me ao movimento que em 2009 foi iniciado em Espanha por um grupo de famílias católicas e que, face à investida de laicização da sociedade, sentiram necessidade de afirmar publicamente a sua fé e, por ocasião do Natal, lançaram uma campanha de divulgação de estandartes com o Menino Jesus para serem colocados em janelas e varandas.

   Essa iniciativa teve uma enorme adesão em Espanha aquando do seu lançamento, de tal modo que muitas famílias portuguesas também aderiram a essa boa iniciativa que continua no presente ano.

   Desde o início do Advento é possível ver, em várias cidades do nosso país, e também em Vila Real, algumas centenas de estandartes de Natal, numa afirmação clara da adesão de muitas famílias cristãs ao espírito religioso e sagrado do Natal.

   Iniciativas como esta são cada vez mais necessárias para fazer renascer o verdadeiro espírito do Natal, ou seja, o Natal cristão.

   Um Santo Natal para si!

  


13 de dezembro de 2012

A Igreja no banco dos réus e a nova Inquisição mediática

    Pe. Gonçalo Portocarreo Almada durante a apresentação do livro
 Auto-de-Fé, na Sociedade Histórica de Independência Nacional

  É patente a crise de valores que, nos dias actuais, vai alastrando de forma generalizada a todo o Ocidente. Um dos reflexos dessa crise são os crescentes ataques à Igreja Católica.

   Com frequência, e a pretexto da ocorrência de certos actos praticados por alguns membros do clero e condenáveis à luz da Doutrina e da moral católica, alguns meios de comunicação, em particular as televisões, relatam tais actos de um modo totalmente desproporcionado e por vezes tendencioso. Desta forma, conseguem incutir na opinião pública, nomeadamente entre muitos católicos, uma ideia de culpa relativamente à Igreja Católica, instituição que moldou a história e a cultura do Ocidente ao longo de 20 séculos, mas que actualmente, vítima dos ataques de que tem sido alvo, está sentada no banco dos réus.

   A este propósito venho recomendar-lhe a leitura de um livro recentemente publicado e intitulado: Auto-de-Fé – A Igreja na Inquisição da opinião pública. Trata-se de uma longa entrevista de Zita Seabra ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, publicada pela Aletheia Editores.

   É um livro esclarecedor, que nos alerta para uma situação preocupante, ou seja, para a perda de influência da Igreja católica nas sociedades actuais, em grande medida devido à influência do laicismo militante na legislação e nos costumes dos modernos Estados e nas sociedades do Ocidente.

   Deixo-lhe aqui as palavras do Pe. Gonçalo Portocarrero Almada a iniciar o livro e que sintetizam bem o conteúdo do mesmo: “Houve um tempo em que a Igreja depunha os reis que não lhe eram submissos, anatematizava os infiéis e excomungava os hereges. Mas hoje, no início do terceiro milénio da era cristã, é a Igreja que se senta no banco dos réus da nova inquisição: a opinião pública. O Papa, os bispos, os padres, os religiosos e os leigos são constantemente inquiridos sobre as razões da sua fé.” 

   Fica aqui uma sugestão de leitura para reflexão nesta quadra natalícia.